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Sol de inverno - Crítica

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  Paletas frias com um inverno ensolarado.  Sol de Inverno, uma jóia escondida do Festival de Cannes, dirigido por Hirosh Okuyama e distribuído pela Michiko Filmes é aquele típico filme japonês, ambientado nos anos 80/90 que você tem vontade de morar numa cidade pequena que neva, ouvindo citypop nas alturas com seu diskman e uma Polaroid pendurada no pescoço.  Você sente a sensação de plenitude e lentidão, cotidiano lento, uma boa sensação da vida lenta e preguiçosa, que combina perfeitamente para um clima de inverno nevado. E essa sensação que poderia descrever sobre o filme: leveza, lentidão, mas ao mesmo tempo, se mistura com empolgação, curiosidade, tranquilidade é que vamos explorar a vida de Takuya, que nada simpatiza e se sente pertencente a esportes "brutos." Mas, em tal momento, algo, na verdade, alguém chama sua atenção. Sakura, é seu nome. Um nome familiar para qualquer consumidor de filmes ou animações orientais, o que se espera de alguém com esse nome? Alguém...

Crítica 12. 12: O Dia

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  Hoje, dia 09 de Janeiro de 2025 chega aos cinemas brasileiros o filme 12.12: O Dia Tendo a sua distribuição aqui no Brasil feita pela SATO Company. Dirigido por Kim Sung-soo , 12.12: O Dia se trata de uma obra áudio visual muito interessante, o filme retrata o golpe militar que ocorreu na Coreia do Sul no ano de 1979. Seu visual é algo que lembra o Cinema Noir , pelo menos no começo, onde é retratado a morte de Park Chung-hee, onde as cores do filme são trabalhadas de forma menos saturada, tons pastéis e uma atmosfera de intriga e melancolia. Porém, com o desenrolando trama, o filme ganha uma atmosfera mais tensa, com as intrigas se interligando de forma primorosa, ganhando um tom mais acelerado e dinâmico, com as cores e saturação do filme ganhando mais intensidade, equilibrando muito bem as cenas de diálogo e de ação. Com o passar do filme temos destacados dois protagonistas, inspirados em figuras históricas reais, o primeiro sendo interpretado por Hwang Jung-min o Comandant...

Crítica do filme “Nosferatu”

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  O medo não é da escuridão, mas sim do que nela se arrasta. “P or falta de um prego perdeu-se a ferradura. Por falta da ferradura, perdeu-se o cavalo. Pela falta do cavalo perdemos o cavaleiro. Sem o cavaleiro perdemos a batalha e, por falta desta, perdemos a Guerra”. Tenho este parágrafo quase que de cor. Digo quase pois suas palavras se esvaem conforme passa o tempo. Desde quando eu era um menino que tinha medo do escuro. Hoje não tenho mais medo da escuridão, mas sim do que nela se esconde.  A razão de escolher começar esse texto através deste parágrafo vem do fato de que a existência deste filme que assistimos se deu através de algo tão caótico quanto o fato de se perder um prego: Murnau, diretor do filme original (Nosferatu: Uma Sinfonia do Horror - 1922) não possuía os direitos de uma adaptação cinematográfica da obra Drácula , do escritor irlandês Bram Stoker. Mesmo assim “adaptou livremente” o livro para filme, o que gerou todo um imbróglio jurídico que resultou na q...

Queer - 2024 Crítica

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  O filme Queer (2024), de Luca Guadagnino, fala mais sobre a solidão queer do que sobre a vida queer. O filme estrelado por Daniel Craig, que foi indicado para o Golden Globe e Critics Choice Award na categoria Melhor Ator, inicia com o foco na vida noturna de um homem homossexual, “queer”, aqui a palavra tomando o sentido de “bicha” na tradução das legendas, mais velho, que caça rapazes pela noite da Cidade do México,  dos anos 40, e que aos poucos vai revelando uma solidão profunda e inescapável. A carência emocional e a libido sexual de Lee são ambas insaciáveis ao ponto de ser doloroso testemunhar até onde ele pode se deixar afundar para suprir essas necessidades. Tudo isso parece chegar a outro nível quando ele vislumbra um jovem rapaz que parece mais uma aparição no meio da paisagem árida e hostil daquelas ruas. Lee passa a praticamente stalkear o jovem Eugene Allerton (Drew Starkey), sem ter certeza da sexualidade dele. Um jogo sensual de toques e conversas pomposas re...

Critica - Senhor dos anéis a Guerra de Rohirrim

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 Falar sobre qualquer adaptação das obras de J.R.R. Tolkien é delicado, pois sempre estamos lidando com um terreno espinhoso e repleto de sentimentos intensos. Contudo, ao nos depararmos com os nomes Peter Jackson (diretor e roteirista da aclamada trilogia O Senhor dos Anéis ), aqui atuando como produtor, e Kenji Kamiyama (renomado diretor de animações) em um cartaz com letras garrafais acima do título "SENHOR DOS ANÉIS: A GUERRA DE ROHIRRIM", qualquer fã, seja novo ou antigo, se sente empolgado. Mas a animação decepciona logo que o filme começa... Os materiais promocionais da obra traziam a ideia de que iriam capturar o espírito dos primeiros filmes e nos imergir naquele mundo, agora em forma de animação. No entanto, eu não esperava que isso fosse tão literal. Todos os personagens apresentados são uma junção de características de diversos ícones dos filmes: frases, trilha sonora, trejeitos e situações são trazidos de forma quase forçada, como se o diretor estivesse gritando ...

Wicked, 2024

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 Direção - Jon M. Chu Se os musicais têm a obrigação de serem mágicos, Wicked consegue ser fantasticamente esplendido e assombroso com tanta magia nas telas. Fazia tempo que não me sentia tão imerso na poltrona do cinema. A história de Wicked é conhecida pelos fãs de musicais da Broadway e do seriado Glee, dos idos dos anos 2010, naquele episódio em que a Rachel e o Kurt disputam quem consegue alcançar a highnote da canção Defying Gravity. Já assisti a Idina Menzel e a Kristin Chenoweth como Elphaba e Glinda dividindo os versos dessa canção icônica nos cortes do Youtube e estava entre os fãs de Ariana Grande ansiosos por ver a cantora nos cinemas vivendo um personagem brilhante, alegre e tão caricato.  E ela simplesmente arrasa. Não tem como não se surpreender com a abertura do filme, ouvindo a cantora usando sua voz de forma tão diferente de seus hits fonográficos. É maravilhoso assistir Ariana dançando e atuando, desde as cenas mais densas e emotivas, que, sim, me fizeram fa...

Quando eu Me Encontrar - crítica

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  Quando eu Me Encontrar trata a partida de uma filha, que deixou para trás sua mãe, sua irmã mais nova, seu noivo. Mas não a partida da morte, e sim, de ir embora. Dayane, do dia pra noite, resolve partir da vida monótona que levava.  E exatamente esses três personagens e seus entendimentos sobre essa situação é quem viram os protagonistas. É aquele típico filme produzido na sua cidade natal, e você agradece por isso, porque é como se tudo se encaixasse perfeitamente, não o enxergo sendo produzido em outra cidade que não seja Fortaleza, por exemplo.  O luto não é só a morte. As fases são as mesmas pra quem vai embora e deixa pessoas pra trás. Pessoas estas que não esperam por isso. Pessoas estas que não entendem de primeira. E aí, vamos para a primeira fase, negação. Antônio retratou bem essa. Indiretamente, Mari e Marluce também.  Aí, vamos para a raiva, Mari trouxe isso muito bem ao estar na festa, ao falar da irmã com os amigos na praia e no Parque Rio Branco....